Convite V-16

Conheça a história da independência da Lituânia - 16 de fevereiro de 1918.

A data em que se comemora a independência da Lituânia, 16 de fevereiro, é importante e deve ser festejada. Entretanto, tal qual a data da independência do Brasil ou dos EUA, ela não representou a independência de fato. Existe uma diferença muito grande entre você acreditar em alguma coisa e as outras pessoas concordarem com aquilo que você acredita. Filosoficamente você até pode se considerar a pessoa mais bela do mundo, mas isso só será concretamente realidade se você vencer o concurso de miss (ou mister) universo. Com relação à independência de novos países ocorre algo parecido: não adianta só um grupo de pessoas que se acredita governo afirmarem que determinado território se tornou independente, ou até mesmo, que a população que ali mora assim acredite. É importante que a comunidade internacional, e o mais importante, o país do qual se ficou independente, concordem com isso.

No caso da Lituânia, a proclamação da independência deu-se no final da primeira Guerra Mundial, enquanto o país se encontrava sob a dominação alemã. Para que o reconhecimento da independência pela Alemanha fosse mais fácil, cogitou-se entregar o trono da Lituânia para um nobre alemão, o duque von Urach de Würtemberg, que seria coroado com título de rei Mindaugas II. O nobre alemão chegou a começar a prender o idioma lituano, mas a idéia acabou sendo abandonada, tão logo a Alemanha perdeu a guerra.

Durante o ano de 1918, a Alemanha acabou perdendo a guerra e o território lituano ficou apinhado de soldados de diversos países, cada um com um interesse diferente, os quais eram diferentes dos interesses dos lituanos:

  • O exército soviético: a Rússia contava com a ajuda de alguns socialistas lituanos e procurava expandir a sua revolução por suas antigas províncias czaristas;
  • O exército polonês: a Polônia se tornou um dos países mais poderosos dentre aqueles que conquistaram sua independência, tinha apoio da França e não reconhecia de maneira alguma que algumas regiões da Lituânia (1/3 do território, inclusive a cidade de Vilnius) se separassem de suas fronteiras;
  • Os “Bermontininkai”: uma força militar originária dos exércitos alemão e russo czarista, que se tornou uma espécie de tropa mercenária e que se aproveitava da instabilidade do jovem estado lituano, agindo de forma violenta contra a população.

Para combater todas estas tropas armadas, o governo lituano procurou organizar rapidamente um exército de voluntários (os “Savanoriai”) que receberiam terras em troca de sua participação nas batalhas. A independência teria que ser arrancada à força.

Enquanto o exército lituano era montado às pressas, o governo provisório organizava eleições, elaborava uma Constituição e organizava uma reforma agrária. Um governo liberal e democrático estava sendo organizado, a independência foi reconhecida e um período de relativo progresso se iniciaria. Mas nem tudo era um mar de rosas para a Lituânia: além das desavenças com a Polônia (que perdurariam até o início da Segunda Guerra Mundial), sombras negras, de intolerância e autoritarismo, começavam a cobrir toda a Europa.

Os lituanos, na verdade puderam conquistar o direito de comemorar duas independências diferentes. No final da década de 80 e início da década de 90, em meio a uma série de mudanças e de reestruturações, a União Soviética demonstrava ser um gigante anêmico.

Os lituanos então, compreendendo a importância do momento e se unindo contra os invasores decadentes (mas mesmo assim muito mais poderosos), iniciaram aquilo que ficou conhecido como “a revolução cantante”. Foram a primeira república soviética a proclamar a sua independência e o fizeram em 11 de março de 1991. O mundo via a atitude daquela pequena república, cujo povo se reunia em protesto e enfrentava tanques e soldados soviéticos de braços dados e entoando suas canções folclóricas, entre perplexo e admirado. O povo lituano, pela sua dupla luta pela liberdade, tem pelo que se orgulhar e comemorar.

-Marcos Lipas.

Procurar